
As pessoas são coisas extraordinariamente estranhas. Observando a vida, a rua, olhando as pessoas passarem, eu fico abismada. É impressionante como a gente fica tão preso a nossa própria existencia, ao próprio sofrimento que a gente esquece de olhar a nossa volta. Cada ser humano que passa na nossa frente tem uma vida diferente, uma história diferente, uma dor e uma alegria diferentes. Isso é muito assustador.
Outro dia na savassi, chegou uma menina de uns oito ou nove anos perto de mim, vendendo chicletes, roupa furada, chinelo velho...
-moça, compra chiclete?
-to sem dinheiro...
-me dá uma pulseira?
eu parei... pensei... olhei pro meu braço. akelas pulseirinhas pretas que todo mundo usa. eu devia ter umas quinhentas. tirei uma do braço e dei pra ela. A menina sorriu agradeceu e foi embora.
A gente se acostuma tanto a ver pessoas na rua, pedindo dinheiro, sem casa, sem dinheiro, sem familia, sem nada. QUe a gente acaba achando que elas não tem alma também. A gente trata elas como se fossem animais, ou pior pq até dos animais na rua a gente tem pena. E das pessoas nao. A gente esquece que elas tem fome, que elas sentem frio, dor, que elas gostam de chocolate, de sorvete. Que elas tem gosto. Sao pessoas.
O mundo acostuma as pessoas a ficarem estagnadas no buraco onde nasceram. Faz as pessoas aceitarem a condiçao em que elas vivem, aceitando que existem ricos e pobres. e não precisava ser assim.
Um comentário:
Adorei o post.
Sei bem do que vc está falando.
Me sinto assim o tempo todo.
Beijoos
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