domingo, 7 de fevereiro de 2010


As pessoas são coisas extraordinariamente estranhas. Observando a vida, a rua, olhando as pessoas passarem, eu fico abismada. É impressionante como a gente fica tão preso a nossa própria existencia, ao próprio sofrimento que a gente esquece de olhar a nossa volta. Cada ser humano que passa na nossa frente tem uma vida diferente, uma história diferente, uma dor e uma alegria diferentes. Isso é muito assustador.
Outro dia na savassi, chegou uma menina de uns oito ou nove anos perto de mim, vendendo chicletes, roupa furada, chinelo velho...
-moça, compra chiclete?
-to sem dinheiro...
-me dá uma pulseira?

eu parei... pensei... olhei pro meu braço. akelas pulseirinhas pretas que todo mundo usa. eu devia ter umas quinhentas. tirei uma do braço e dei pra ela. A menina sorriu agradeceu e foi embora.
A gente se acostuma tanto a ver pessoas na rua, pedindo dinheiro, sem casa, sem dinheiro, sem familia, sem nada. QUe a gente acaba achando que elas não tem alma também. A gente trata elas como se fossem animais, ou pior pq até dos animais na rua a gente tem pena. E das pessoas nao. A gente esquece que elas tem fome, que elas sentem frio, dor, que elas gostam de chocolate, de sorvete. Que elas tem gosto. Sao pessoas.
O mundo acostuma as pessoas a ficarem estagnadas no buraco onde nasceram. Faz as pessoas aceitarem a condiçao em que elas vivem, aceitando que existem ricos e pobres. e não precisava ser assim.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Medo

O medo é um sentimento que aprisiona, mata.
O medo impediu que eles lutassem, que eles continuassem.
O medo é como uma cela escura, como grades fortes e um feixo de luz ao fundo.
às vezes a luz é a única salvação, mas as grades impedem que se toque na luz.
O medo é um quarto escuro, um poço fundo, uma cova fria.
O medo destruiu o amor dos dois.
O medo os impediu de tentar novamente.
O medo destruiu a oportunidade de uma segunda chance.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

everything around me is darkness. and I'm alone

Palavras escritas ao vento... são exatamente o que minhas palavras são. Escritas ao vento. Inúteis. Eu tentei estar certa. Eu tentei . E ninguém pode falar que eu não dei o que eu podia. Ninguém conhece o tamanho da minha dor, do meu vazio. Só eu mesma. A vida pra mim parece muito dolorosa. Caminhar requer um esforço muito grande e isso me deixa exausta.
Eu estou exausta. Cansei desse mundo. Dessas pessoas futeis. Todo mundo tentando pisar na cabeça de todo mundo só pra conseguir alguma coisa na vida. Como se a gente precisasse pisar nos outros pra viver. Mentira!
Tudo ao meu redor é escuridão e eu estou sozinha. Eu acho que no final tinha que ser assim. No final eu sempre acabo sozinha. Dor. No final eu sempre estrago tudo com meus complexos. No final eu não consigo fingir que sou mulher, forte. Eu viro criança, chorando pelos cantos, com medo do bicho papão. Escondida debaixo dos cobertores, com medo da solidão vir me buscar. E no final, o medo sempre se torna real.