
Talvez seja fácil. Mas, sempre pareceu difícil. Pelo menos pra mim.
Sempre com medo do escuro. Enxergando sombras invisíveis. Caminhando sozinha. Rápido. Como se eu corresse grande perigo, ou fugisse de algo. Como se os monstros que se escondem em mim pudessem me alcançar, sem que eu desejasse.
É difícil me olhar publicamente em um espelho, como se a parte nojenta, a parte que eu tento esconder, fosse a primeira a ser vista pelo meu reflexo. Sempre foi difícil olhar nos olhos da outras pessoas. Como se eu pudesse ver ali minha alma cansada e depressiva, escura e decadente, refletida. Sempre foi difícil falar, como se eu fosse gastar todas as minhas forças. As forças que eu guardo para um único grito. O último.
Vivendo assim, eu cultivei apenas um sentimento. O pior de todos. O que mata. O que causa discórdia. O que causa guerras mundiais. O que me tortura. O que me destrói. O orgulho. A única coisa que eu cultivo é o orgulho. Ele está me destruindo. Pouco a pouco. Segundo a segundo. Gota por gota. Toda a minha vida está presa nele. E por mais que eu lute contra ele. Por mais que minha alma grite desesperadamente, tentando se livrar dele. Não dá. É como o impossível.
Esse sentimento sujo me priva de tanto… eu me sinto acorrentada. Prisioneira do orgulho.
Talvez seja fácil. Mas não para mim. Me forçam a tanto, incapazes de perceber o quão difícil é para mim e o quanto dói ser incapaz de fazer.
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