quinta-feira, 14 de maio de 2009


A dor parece cada vez mais insuportável. Minha alma está silenciosa demais e isso é assustador. Tudo ecoa. Estou vazia e isso me dá medo. Será que algum dia vou conseguir me salvar desse mundo? Será que conseguirei me salvar desse complexos e palavras incontidas? Desse vazio?
Talvez eu seja mesmo uma velha rabujenta de 210 anos que odeia o mundo e as pessoas e não vê mais cor na vida. E talvez eu seja apenas uma criança encolhida no canto do quarto com medo do escuro. Com medo das sombras, das névoas, das vozes e dos passos. E tudo se transfunde. Talvez eu seja uma mulher, caminhando por entre as arvores, em meio a pálida neblina, buscando a salvação, buscando a morte. Uma mulher tentando se libertar dessas algemas que a sociedade nos obriga a usar. Alguns sentem-se confortáveis com elas, mas, não a mulher que mora em mim. Não a mulher que se esconde atrás dos traumas de infância.
E, no escuro da noite, chora a criança, no silencio, grita a mulher. Chegará o dia em que elas entoarão uma canção, unificando os versos, os choros, os gritos e as cores.
Chegará o dia em que a salvação estará próxima. Eu já estou salva. Mas não para este mundo, não para este tempo, não para as pessoas.
Minha alma está silenciosa demais e isso é assustador. Tudo ecoa.
E minha alma aguarda o momento em que a esperança não será mais em vão. Minha alma aguarda pela vida que virá. Aguarda pela virtude que foi roubada, mas voltará junto com os olhos verdes e o toque suave.
Minha alma aguarda o dia em que a esperança voltará com os olhos verdes e o toque suave.
A falta que me faz dói muito. Dói como nunca doeu antes.