terça-feira, 20 de outubro de 2009


Ela via seus olhos brilhantes, como uma lua prateada, ora brilhavam verdes, mas na maioria do tempo eram uma mistura de verde com cinza, um verde claro, feito o mar.
Ele olhava para ela como se tudo fosse um sonho bom e ela correspondia com seus olhos castanhos, os olhos dela tinha varia linhas bem finas e verdes, e brilhavam. Mas, no meio do brilho dos olhos dela, havia um pouco de medo, medo de que por ser bom demais fosse mentira, isso a deixava assustada. Nâo ter o controle de seus sentimentos a assustava. Imaginava milhares de coisas que poderiam destruir aquele sonho. Às vezes, a noite, deitada na cama, ficava horas imaginando quando ele a deixaria, quando ele a abandonaria. Chorava, às vezes, imanginando que talvez ele pudesse odiá-la um dia.
Ele via a tristeza dela e se desesperava, sempre achando que não era bom o bastante para estar com ela. ELe não sabia o que dizer, quais atitudes tomar, tinha medo de decepciona-la, de ela o abandonar.
Eles sentiam a mesma coisa. Pensavam as mesmas coisas. Completavam-se. Entendiam-se. Mesmo no silencio ou na escuridão. Apenas um toque ou um olhar e eles sabiam tudo o que o outro queria dizer. Se conheciam a tão pouco tempo e se entendiam completamente. Como se houvesse passado seculos.
Mas, estavam cheios de medo. De complexos.
O medo é um sentimento que aprisiona, mata. O medo impediu que eles lutassem, que eles continuassem.
O medo é como uma cela escura, como grades fortes e um feixo de luz ao fundo. às vezes a luz é a única salvação, mas as grades impedem que se toque na luz.
O medo é um quarto escuro, um poço fundo, uma cova fria.
O medo destruiu o amor dos dois. O medo os impediu de tentar novamente. O medo destruiu a oportunidade de uma segunda chance.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009


Talvez seja fácil. Mas, sempre pareceu difícil. Pelo menos pra mim.
Sempre com medo do escuro. Enxergando sombras invisíveis. Caminhando sozinha. Rápido. Como se eu corresse grande perigo, ou fugisse de algo. Como se os monstros que se escondem em mim pudessem me alcançar, sem que eu desejasse.
É difícil me olhar publicamente em um espelho, como se a parte nojenta, a parte que eu tento esconder, fosse a primeira a ser vista pelo meu reflexo. Sempre foi difícil olhar nos olhos da outras pessoas. Como se eu pudesse ver ali minha alma cansada e depressiva, escura e decadente, refletida. Sempre foi difícil falar, como se eu fosse gastar todas as minhas forças. As forças que eu guardo para um único grito. O último.
Vivendo assim, eu cultivei apenas um sentimento. O pior de todos. O que mata. O que causa discórdia. O que causa guerras mundiais. O que me tortura. O que me destrói. O orgulho. A única coisa que eu cultivo é o orgulho. Ele está me destruindo. Pouco a pouco. Segundo a segundo. Gota por gota. Toda a minha vida está presa nele. E por mais que eu lute contra ele. Por mais que minha alma grite desesperadamente, tentando se livrar dele. Não dá. É como o impossível.
Esse sentimento sujo me priva de tanto… eu me sinto acorrentada. Prisioneira do orgulho.
Talvez seja fácil. Mas não para mim. Me forçam a tanto, incapazes de perceber o quão difícil é para mim e o quanto dói ser incapaz de fazer.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Acho que nunca vou me perdoar. É injusto o fato de toda escolha provocar um perda.
Essa perda pode ser irrefutavel. E a gente nunca sabe se é ou não. A gente só descobre se o que perdemos era essencial algum tempo depois. Escolhas.
Às vezes eu desejava enxergar o futuro, para poder tomar as decisões certas. Ou poder voltar atrás, e corrigir as minhas escolhas erradas.
Eu não posso voltar atrás. Ninguém pode. Se pudessemos, muitas pessoas seriam salvas, algumas mortas, talvez guerras tivessem sido impedidas, e outras, travadas. Muitos seriam felizes, e eu deixaria esse vazio.
O ressentimento me corrói. Me deixa amarga. Me sinto velha, e todos sentem que eu sou velha. Me tornei rabugenta, sim. Incapaz de me divertir intensamente e incapaz de fazer as pessoas a minha volta felizes. Porque eu vi a minha vida passar por mim, e nao soube segurá-la. Nao consegui me agarrar a ela. E nao consegui resgata-la quando tive a oportunidade. Agora, quando todas as chances se foram, eu procuro lutar. Lutar por algo inutil... A chance que me foi dada se passou. E dificilmente outra surgirá.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009


É estranho como a vida parece frágil quando nos deparamos com a morte. A vida parece apenas um frágil e fino fio. Um fio de fumaça. Morrer é tão fácil e simples. Isso, às vezes, me assusta. Às vezes, eu sinto medo de acordar, de levantar, de sair na rua. Porque é muito fácil mesmo morrer. Mas, às vezes, me dá vontade de correr porta a fora, e parar de frente ao onibus que desce a rua em alta velocidade e não conseguiria parar antes de me acertar. Dá vontade de correr em direção ao perigo para que minha frágil vida vá embora.
Parece dificil, mas não é. É apenas coragem. Tendo um pouco de coragem e vontade na mente, com um estalar de dedos se destrói vidas e familias. Alegrias e confianças.
É estranho perceber a frequencia com que eu penso na morte. A frequencia com que eu consigo me contradizer, pensando em morrer e ao mesmo tempo sonhando em viver intensamente.
A morte me atrai. Muito, confesso. Mas eu temo ela. Eu temo muito encontrá-la. Assim , cara a cara. Acho que não estou pronta pra vê-la.. Mas, a pergunta é: a morte se importa como o fato de estarmos preparados ou não? ou melhor: o fato de eu estar pronta altera o trabalho da morte? Não...

uma estranha no mundo dos humanos

Dor. A vida doi. Crescer doi.
Eu nunca pensei que crescer fosse tão doloroso. Que viver fosse tão dificil. Relacionamentos são complicados. Quando a gente acha que pode confiar em alguém, essa pessoa destrói nossa confiança em questão de segundos.
Eu achei que finalmente ia me sentir segura. Erro meu buscar segurança na mãos de pessoas, imperfeitas, fadadas ao erro, a traição. todas elas. Eu achei que ia conseguir viver sem culpa e depois tudo se desmanchou no ar, como tantas vezes ja aconteceu. E eu estou vivendo idas e voltas, torturantes. Talvez eu esteja destruindo minha vida, mas é minha única chance. O resto não é nada. O resto é pó. Tudo que me restou foi a triste e cruel esperança... os olhos brilhantes...

quinta-feira, 14 de maio de 2009


A dor parece cada vez mais insuportável. Minha alma está silenciosa demais e isso é assustador. Tudo ecoa. Estou vazia e isso me dá medo. Será que algum dia vou conseguir me salvar desse mundo? Será que conseguirei me salvar desse complexos e palavras incontidas? Desse vazio?
Talvez eu seja mesmo uma velha rabujenta de 210 anos que odeia o mundo e as pessoas e não vê mais cor na vida. E talvez eu seja apenas uma criança encolhida no canto do quarto com medo do escuro. Com medo das sombras, das névoas, das vozes e dos passos. E tudo se transfunde. Talvez eu seja uma mulher, caminhando por entre as arvores, em meio a pálida neblina, buscando a salvação, buscando a morte. Uma mulher tentando se libertar dessas algemas que a sociedade nos obriga a usar. Alguns sentem-se confortáveis com elas, mas, não a mulher que mora em mim. Não a mulher que se esconde atrás dos traumas de infância.
E, no escuro da noite, chora a criança, no silencio, grita a mulher. Chegará o dia em que elas entoarão uma canção, unificando os versos, os choros, os gritos e as cores.
Chegará o dia em que a salvação estará próxima. Eu já estou salva. Mas não para este mundo, não para este tempo, não para as pessoas.
Minha alma está silenciosa demais e isso é assustador. Tudo ecoa.
E minha alma aguarda o momento em que a esperança não será mais em vão. Minha alma aguarda pela vida que virá. Aguarda pela virtude que foi roubada, mas voltará junto com os olhos verdes e o toque suave.
Minha alma aguarda o dia em que a esperança voltará com os olhos verdes e o toque suave.
A falta que me faz dói muito. Dói como nunca doeu antes.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Como é viver num mundo de noite perpétua?

Eu nunca vou descobrir os mistérios que existem na vida. Porque eu nunca vivi de verdade.
A cor? Cinza. Eu não sei bem como, porém, eu sei que é cinza. O mundo que eu vejo é decadente. O céu é escuro, mesmo por trás de eu lindo azul e um sol escaldante. É cinza. A cor que eu vejo é cinza.
As contruções são ruínas. Os grandes prédios que outrora recebiam milhoes de pessoas por dia, estão em ruínas. As ruas estão sujas. A noite parece ser eterna. O nascer de um novo dia, chega como salvação. Alivio para os corações deseperados. O medo de nao haver um próximo dia nos enlouquece. Nos persegue.
Nós, humanos, estamos a mercê dos monstros. Na mira da besta. Somos frágeis mas mãos dos vampiros. Como os animais um dia foram nas nossas mãos. Acho que estamos apenas recebendo o castigo de Deus por um dia termos dominado, torturado outros seres-vivos.
No grande auge da humanidade nós matávamos apenas por prazer. A grande era do hedonismo. Tudo pelo proprio prazer, por poder e dinheiro.
Do caçador viramos caça. Encontramos nossos próprios monstros hedonistas. Os nosso dias de glória se foram. E eu não sei se estou feliz ou triste por isso. Eu confesso que nunca gostei da forma escrota do homem pensar. Irracional. Acho que na verdade meu desejo foi sempre encontrar com um monstro desses e ser levada para a noite perpétua. Sempre desejei ser levada. Deve ser por isso que todas as noites lá estou eu. Passando por ruas desertas sentindo o vento frio congelando o meu rosto. Sempre a procura do meu salvador


[To be continued...]

domingo, 25 de janeiro de 2009

As forças me faltam quando eu mais preciso. Minha mãos tremem, meus olhos doem, o coração dispara e desascelera. Parece que a qualquer instante ele pode parar. Eu sinto medo. Eu sinto medo por tentar imaginar o futuro e ver uma sombra nos meus olhos. E tantas dúvidas que tomam conta de mim. A vida é cruel. Eu me sinto tão suja por viver nesse mundo desgraçado...
As pessoas são tão cretinas, o ser humano é podre. E eu também sou. Tenho todos os defeitos sujos de qualquer ser humano.
Que merda! Eu fantasio tudo! Até a morte das pessoas que amo! Devo ser maluca por ficar imaginando a morte das pessoas. Eu sou louca! Acho que é toda a minha necessidade de ser louca como eu devia ter sido antes. Ser tão errada quanto eu deveria ter sido quanto criança. Eu devia ter rido, chorado, brincado, gritado, conversado, ido a parques, sido crinaça. E não fui. Desde as minhas mais remotas lembranças eu só me lembro de coisas que me parecem malucas, mas será que são? Será que sou a única a cometer loucuras? Acho que não! Todos são loucos. O mundo é insano. E eu sou normal no meio de todos. Sou só uma garotinha banal e vulgar com todas as outras. Não tenho nada de diferente.
Grito engasgado. Grito entalado. Choro preso. Vontade de rasgar minha pele. Vontade de morrer. Sumir dessa desgraça chamada mundo, que não merece nem Deus e nem a religião que eles mesmos inventaram.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

talvez seja mais facil se entregar...


É estranho pensar em como os sentimentos das pessoas que vivem comigo me afetam. As dores, as alegrias, me contagiam. É estranho perceber como o sofrimento de alguém proximo pode se tornar o meu sofrimento, como se eu estivesse no corpo daquela pessoa, ou pudesse ver a alma dela e sofrer com isso. Eu não sei até quando isso vai durar, mas eu sei que dói. Muito. Ás vezes eu gostaria de ser um pouquinho mais esgoíta e me preocupar mais com a minha felicidade e menos com a dor alheia... Eu acho que deixo muito de viver sofrendo pelas pessoas e acabo perdendo tudo, porque nem reconhecimento eu consigo... O mundo é um lugar cruel, e eu não pedi para estar nele, eu queria, ao invéz de tentar tornar a realidade dos outros dolorosa para mim, poder fazer o melhor que eu posso com a minha propria vida. Poder dar o melhor de mim para fazer o melhor com o que me foi dado, mas parece que estou fadada a carregar pedras. As minhas e a dos que amo.