Rasgar a pele clara e macia. Era essa a minha vontade. Vontade que, como tantas outras, não sou capaz de fazer.A vida inteira eu tentei fingir. Enquanto o que eu sentia era apatia, eu fingia interesse nas coisas. Eu lutava por desejos que não eram meus, chorava por motivos que eram fracos. eu vivia por outros. Eu nunca vivi a minha vida. Ela era uma farsa. Uma mentira que eu inventava para me sentir menos vazia. Eu fingia que lutava porque não tinha nada suficientemente forte para que eu lutasse. Eu nunca tive garra o bastante para viver por algo. Nunca consegui me apegar a algo suficientemente importante. Nunca aprendi a querer algo com todas as forças. Nunca quis expor meus sentimentos, nunca quis ser expressiva.
Nunca até o dia 14 de outubro de 2007. Eu descobri que respirava, sentia dor por mim mesma, odiava o mundo porque EU não gostava dele. Ficava indignada, porque Eu achava aquilo injusto. Sentia falta. Desejava. E era um sentimento meu. Ninguém poderia tirá-lo de mim.
Minha frustação ficou maior. Me sentia presa e sufocada com coisas do passado. Era totalmente incapaz de me expressar, agora que eu desejava imensamente! Eu não consegui me livrar dos traumas antigos. Me fechei para o mundo, para as pessoas, para a expressão e para o amor. Sempre me dando bem apenas com o papel e a caneta.
Mas, isso também me deixou. O papel e a caneta não mais fazem parte de mim. Eu não consigo mais escrever bem. Sinto-me uma completa inútil.
Incapaz de se expressar, incapaz de ajudar os outros, incapaz de mostrar a amor, incapaz de dizer palavras bonitas, incapaz de falar, de gritar, de lutar. Um nada. Um vazio.